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LITERATURA

Considerando o número de títulos de livros individuais, a ficção, a poesia e a dramaturgia brasileira perfazem cerca da metade da produção literária da América Latina.

O desenvolvimento da literatura no Brasil atravessou diversos períodos históricos do país, desde o Colonial, a partir da descoberta, em 1500, a 1822, ano da Independência. No período colonial, se destacam os estilos Barroco e Arcadismo; em seguida, tivemos o período da literatura nacional propriamente dita, que começa, mais ou menos, a partir da Independência. Os movimentos literários importantes, durante o chamado Período Nacional, podem ser relacionados com o desenvolvimento político e social do país: o romantismo literário coincide , aproximadamente, com os 57 anos do Império; os autores parnasianos e realistas floresceram durantes as primeiras décadas da República, seguidos dos simbolistas, na passagem para o século 20; em 1922, na cidade de São Paulo, foi organizada a Semana de Arte Moderna, que deu início ao movimento modernista. Esse movimento influenciou, profundamente, não só a literatura brasileira, mas igualmente a pintura, a escultura, a música e a arquitetura.

Muitos dos notáveis escritores do primeiro Período Colonial eram jesuítas, fascinados pelas novas terras e seus habitantes nativos.

A transmigração, em 1808, da família real portuguesa para o Brasil, trouxe consigo o espírito do incipiente Movimento Romântico Europeu. Os escritores brasileiros começaram a dar ênfase à liberdade individual, ao subjetivismo e a questões relacionadas com problemas sociais. Na seqüência da independência do Brasil, a literatura do Romantismo evoluiu para a exaltação das injustiças do Brasil tropical e seus indígenas, escravos africanos, bem como para a descrição das atividades urbanas.

Machado de Assis (1839-1908) é considerado, até hoje, o maior dos escritores brasileiros do século XIX, graças à universalidade de seus romances e ensaios. Machado de Assis continua a ser o mais importante e influente escritor dentre os ficcionistas no Brasil. As suas obras, que abrangem o estilo romântico e o realismo, têm seus exemplos na Europa em Emile Zola e no romancista português Eça de Queiroz.

No início do século XX, um espírito inovador impregna os artistas brasileiros, culminando na Semana de Arte Moderna de São Paulo. Essa nova forma de pensar proporcionou uma revolução artística que apelava para os sentimentos de orgulho pelo folclore, pela história e pelos ancestrais nacionais. Os participantes da Semana de Arte Moderna lançaram mão, em seus escritos e obras das artes plásticas, das tendências então em voga no mundo, tais como Futurismo, Cubismo e Dadaísmo.

O poeta Menotti del Pichia resumiu os objetivos do novo movimento artístico com as seguintes palavras: "Queremos luz, ar, ventiladores, aviões, reivindicações operárias, idealismo, motores, chaminés fabris, sangue, velocidade, sonhar com nossa arte." O líder mais importante da fase literária desse movimento foi Mário de Andrade (1893-1945), que escreveu poesias, ensaios literários, sobre as artes, a música e o folclore brasileiro. Macunaíma, uma de suas inúmeras obras, foi considerada como "uma rapsódia e não novela ". Oswald de Andrade (1890-1953) escreveu uma coleção de poemas intitulada Pau-Brasil, fazendo uma apreciação da cultura brasileira, superstições e vida familiar, numa linguagem simples, enxuta, e, pela primeira vez na poesia brasileira, com humor específico.

A transição para uma abordagem mais espontânea da literatura é representada pelos poetas Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Manuel Bandeira (1886-1968). O primeiro usava a ironia para dissecar os costumes da época, enquanto Bandeira construiu uma linguagem de associações em torno de provérbios e expressões populares. Ele queria também que seu ultimo poema fosse “eterno, falando de coisas simples e o menos intencional possível."

O romance brasileiro tomou nova forma e conteúdo social após José Américo de Almeida (1887-1969), que escreveu A Bagaceira, uma história pioneira sobre as severas condições de vida no interior do Nordeste. Graciliano Ramos, cujos livros foram largamente adaptados a filmes e à televisão, é o mais forte representante da geração de escritores que dedicaram sua prosa ao combate às injustiças sociais. Eles também contribuíram para o subsequente desenraizamento do regime autoritário da primeira era de Vargas (1937-1945).

Ao primeiros romances de Jorge Amado, traduzidos para 33 idiomas, foram fortemente influenciados por sua fé nas idéias marxistas e concentrados no sofrimento dos trabalhadores das plantações de cacau no seu estado natal da Bahia e sobre o humilde pescador nas aldeias à beira do mar. Em 1950, o escritor optou por uma abordagem mais jovial das alegrias e tristezas da classe média da Bahia.

Indubitavelmente, o escritor brasileiro mais inovador do século passado foi João Guimarães Rosa (1908-1967). Diplomata de carreira, ele chamou a atenção do público e também dos críticos com um volume de estórias curtas, Sagarana, seguido logo por sua obra mais conhecida - Grande Sertão: Veredas.

Há muitos outros escritores brasileiros notáveis. Gilberto Freyre (1900-1987), mestre do estilo e pioneiro da nova escola de sociólogos brasileiros; autor de Casa Grande & Senzala, estudo perceptivo da sociedade brasileira. Um dos mais conhecidos poetas brasileiros foi João Cabral de Melo Neto (1918-2000). Menção especial merece Vinicius de Moraes (1913-1980). Sua poesia tornou-se parte e parcela da bossa nova, movimento musical que produziu um novo estilo de samba, esse ritmo tipicamente brasileiro. Vinicius (como é conhecido em todo o mundo) escreveu também uma peça, Orfeu da Conceição, que ficou conhecida internacionalmente pelo filme Orfeu Negro.

Florestan Fernandes (1920-1995), juntamente com Gilberto Freyre, o mais proeminente pensador social brasileiro, analisou as principais contradições da sociedade e o sistema político brasileiros.